Teoria Rick Riordan

Hey Gente!!! Eu sei que estou muito tempo sem postar, então eu resolvi mostrar para vocês uma teoria da  Larissa Justo sobre as séries de Rick Riordan. Essa teoria foi retirada do site Olympians-PI.

O incrível plano de Rick Riordan
Teorias mirabolantes sobre a crescente coleção de mitologias do criador de Percy Jackson - e o que ele planeja fazer com elas

Ninguém nega que Rick Riordan é dos autores de maior sucesso com público infanto-juvenil nos últimos sete anos. Graduado em Inglês e Estudos Sociais pela Universidade do Texas em Austin, o rapaz certamente domina a língua e sabe traduzir em palavras todo tipo de relacionamento humano (ou não-humano) de forma fluida e divertida. Já publicou mais de uma dezenas de livros para crianças e jovens, dentre eles as aventuras de Percy Jackson e dos irmãos Carter e Sadie - além da série Tres Navarre, que é para adultos. Arrebatou milhares de leitores pelo mundo e tem uma base de fãs muito fiel e dedicada no Brasil - inclusive aqui no Piauí, com o nosso clube-parceiro Olympians-PI! Enfim, o Rick faz sucesso porque é muito bom no que ele faz.


Rick Riordan e seu sorriso sempre simpático 

Agora, vamos chamar a atenção para o estilo de escrita do moço. A maioria dos livros dele - para falar a verdade, acho que todos os livros dele; não afirmo com certeza porque não li tudo ainda - tem enredos rápidos, com ações acorrentadas em efeito dominó e descrições que vão direto ao ponto. Não são livros longos, motivo pelo qual quase tudo que Riordan escreve acaba se tornando uma série de publicações. É difícil dizer se esse é apenas o estilo do cara ou se é uma jogada de marketing para vender mais, mas isso não vem ao caso, porque a questão é que ele sempre escreve em volumes sequenciais. Esse é o gancho para a teoria que será discutida nesse artigo.
Agora, vamos chamar a atenção para o estilo de escrita do moço. A maioria dos livros dele - para falar a verdade, acho que todos os livros dele; não afirmo com certeza porque não li tudo ainda - tem enredos rápidos, com ações acorrentadas em efeito dominó e descrições que vão direto ao ponto. Não são livros longos, motivo pelo qual quase tudo que Riordan escreve acaba se tornando uma série de publicações. É difícil dizer se esse é apenas o estilo do cara ou se é uma jogada de marketing para vender mais, mas isso não vem ao caso, porque a questão é que ele sempre escreve em volumes sequenciais. Esse é o gancho para a teoria que será discutida nesse artigo.

Vocês já perceberam que o Rick já escreveu duas séries de livros sobre três focos mitológicos, é claro. Primeiro com Percy Jackson e os Olimpianos, que lida diretamente com mitologia grega. Depois, Heróis do Olimpo, que uniu a mitologia grega de Percy Jackson e os Olimpianos com a mitologia romana. Embora sejam similares por causa da enorme influência da Grécia na filosofia e religião de Roma, existem algumas diferenças fundamentais entre ambas, especialmente relacionadas às justificativas políticas de ambos os povos. A Grécia era dividida em pólis, enquanto Roma era unificada e assim permaneceu mesmo após expandir o império. Nos próprios livros é possível notar essa diferença - mais um exemplo da genialidade do autor.

Não satisfeito em re-imaginar os mitos "ocidentais" de Grécia e Roma, Rick abraçou as lendas egípcias e criou as Crônicas dos Kane. Com esses últimos três livros, conseguiu criar ficções próprias sobre três das mais aclamadas e famosas mitologias da Antiguidade. E depois dos Kane, os fãs e críticos literários imaginaram que Riordan não pararia com o hábito porque, afinal, ainda existem vários outros mitos e lendas dando sopa por aí. E não deu outra! Assim que cumprir seus prazos e metas com Heróis do Olimpo, Rick vai escrever sobre vikings, valquírias e demais mitos nórdicos. A previsão é de lançar o primeiro livro da nova série em meados de 2015:

 

 (Fonte: Publishers Weekly

Sabendo disso, você pensa: "ah, o Rick Riordan está querendo colecionar obras sobre mitologia!". É o que parece, né? Mas eu acho que o plano dele não é tão simples assim. Riordan não quer simplesmente escrever uma série para cada pesquisa arqueológica - ele quer fazer uma coisa que pouquíssimos autores têm a capacidade e a coragem de fazer - um CROSSOVER.

É isso mesmo. Um crossover. E para quem não faz a menor ideia do que estou falando, aqui vai uma definiçãozinha sucinta e direta da Wikipedia: "dá-se o nome de Crossover ao evento fictício em que dois ou mais personagens, cenários ou acontecimentos são compartilhados por séries diferentes". É uma técnica literária que mistura diversos núcleos de personagens e universos, muito comum em video games, quadrinhos e séries animadas, especialmente se dividem o mesmo autor ou a mesma empresa detentora de direitos autorais.

 É o caso de muitas (muitas MESMO) histórias dos universos da Marvel Comics e da DC Comics, sendo os Vingadores e a Liga da Justiça os mais famosos exemplos de crossover delas, respectivamente. Entre os jogos eletrônicos, creio que um dos exemplos mais populares é o Smash Bros da Nintendo, misturando vários personagens de franquias diferentes em um único jogo de combate; outro bom exemplo é a série Kingdom Hearts, que reúne os personagens tarimbados da Disney com o elenco famoso das séries Final Fantasy da Square Enix.

Não é tão comum vermos crossovers em livros porque existem muito mais obras independentes do que séries em um mesmo universo específico; além disso, quando criam novas histórias, a maioria dos autores prefere criar novos mundos e enredos ao invés de reaproveitar algo já criado; e quando reaproveitam, geralmente o fazem de forma a continuar uma história anterior, como é o caso dos Heróis do Olimpo do Riordan. No entanto, vez ou outra o autor opta por misturar ideias ao invés de simplesmente dar continuidade a elas. É o caso, por exemplo, dos livros da Diana Wynne Jones, que podem ser lidos independentemente, mas vez ou outra mencionam e reutilizam personagens de outros livros dela (como acontece em O Castelo Animado e O Castelo no Ar). A essência das histórias é diferente, mas os livros são feitos de forma a trazer ao leitor os personagens cativantes de outros livros dela.

Dá para perceber que não é uma coisa fácil de se fazer. Geralmente aumenta muito o número de personagens da história, o que dificulta coesão e divisão de pontos de vista. Poucos conseguem executar esse tipo de planejamento sem criar paradoxos ou esquecer algum detalhe importante, motivo pelo qual os universos da Marvel e da DC acabaram se tornando uma verdadeira teia de mundos paralelos, reboots e viagens no tempo. E falei de tudo isso porque o plano de Rick Riordan, caso vá para frente, é simplesmente genial.
Por que é genial? Porque Riordan começou a construir o plano de crossover nos próprios livros que vão antecedê-lo! Mas espera, para tudo, vocês não estão entendendo nada, né? Vou rebobinar a fita e explicar como cheguei a essa conclusão.

Assim que saiu A Pirâmide Vermelha, tive uma conversa empolgada com o nosso colaborador Pedro á respeito da aparente intenção do autor de criar um crossover. Ele comentou comigo sobre a novidade do livro de mitologia nórdica, e confidenciou suas suspeitas de que Rick estava armando um palco para unir todos os seus livros com base mitológica. Na mesma hora que ouvi isso, lembrei da seguinte passagem do primeiro livro dos Kane, um diálogo entre Sadie, Carter e Amós, narrado por Carter:

- E estamos na margem leste? - quis saber Sadie. - Disse alguma coisa sobre isso em Londres... sobre meus avós morarem na margem leste.
Amós sorriu.
- Sim. Muito bom, Sadie. Nos tempos antigos, a margem leste do Nilo era sempre o lados dos vivos, o lado onde nasce o sol. Os mortos eram enterrados na margem oeste. Era considerado de má sorte, até perigoso, viver lá. A tradição ainda é forte entre... nosso povo.
- Nosso povo? - perguntei, mas Sadie forçou outra questão.
- Então não se pode morar em Manhattan? - disparou.
Amós franziu a testa e olhou para o Empire State.
- Manhattan tem outros problemas. Outros deuses. É melhor mantermos tudo separado.
- Outros o quê? - reagiu Sadie.
- Nada.
A pirâmide vermelha / Rick Riordan; tradução de Débora Isidoro; p.53. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2010.
(As crônicas dos Kane; v.1)
Nem todo mundo percebeu isso, porque a passagem foi rápida, no meio de acontecimentos frenéticos para os personagens do livro, e a conversa foi rapidamente redirecionada para outras coisas. Mas dá para tirar conclusões bem sólidas do pouco que foi dito aqui!

Amós fala que Manhattan tem outros deuses. Alguém poderia até imaginar que os outros deuses sejam deuses egípcios que não estavam envolvidos na confusão de Seth e Osíris no livro um das crônicas, mas antes desse comentário há uma menção deliberada ao Empire State: "Amós franziu a testa e olhou para o Empire State". Então, vamos lá, classe, no data base das coisas escritas por Rick Riordan, o que é o Empire State?
Isso mesmo! O Monte Olimpo!

E logo depois desse deslize na língua de Amós, ele diz que é melhor "manter tudo separado". Tudo o quê? Panteões, semi-deuses e manifestações específicas de cada panteão, é claro! Riordan jogou uma âncora nessa passagem e abriu um leque imenso de opções com o simples fato de ter mencionado o universo de Percy Jackson dentro do universo dos Kane. Foi bem mais direto, inclusive, do que no caso do Acampamento Romano de Heróis do Olimpo que, ao ser explicado para o leitor, se encaixou em alguns comentários discretos sobre certas áreas dos Estados Unidos e certos focos de ataques de titãs no último livro de PJO que não foram resolvidos pelo Acampamento Meio-Sangue.

E não para por aí! Em Heróis do Olimpo, quando Percy e seu grupo precisam resgatar determinados objetos no Alasca, é dito e repetido várias vezes que "o norte fica além do domínio dos deuses". Agora, vamos lá, crianças, o que fica no NORTE, no GELO, etc, etc? Opa, alguém aí disse Niflheim?

Pois é! Mitologia Nórdica, deuses nórdicos, Jotun, Aesir e afins!

Rick não jogou só uma âncora, ele basicamente criou um Bifröst todo colorido entre todas as suas obras mitológicas! Gente, TUDO ENCAIXA QUE NEM LEGO - é lindo, é mágico, é Rick Riordan.

Como já foi dito ali em cima, nem todo autor tem competência para orquestrar um crossover sem macular parte da essência dos personagens ou dos enredos originais. Só que o autor em questão tomou várias medidas que vão facilitar em MUITO a construção: 1) não amarrou demais o próprio universo, especialmente por ter mesclado mitologia com eventos, lugares e pessoas palpáveis, que fazem parte da vida dos leitores de alguma forma; 2) já jogou migalhas do crossover ao longo das três séries que se relacionam, fazendo com que a introdução da mesclagem não pareça absurda ou infundada; 3) criou uma receita de história que pode ser aplicada a basicamente qualquer tipo de folclore do planeta Terra - se Riordan quiser começar uma história sobre os deuses xintoístas, hindus ou havaianos, é só seguir os mesmos passos de PJO e Kane.

A originalidade da ideia é ainda mais impressionante porque ele provavelmente vai ter que jogar com as similaridades entre as mitologias para poder unir os enredos em um só. E para criar razão suficiente para que seus personagens se encontrem, vai usar uma similaridade arrebatadora.
Meu palpite? Fim do mundo.

Toda mitologia tem uma explicação ou previsão para o Apocalipse. Por exemplo, 2012 trouxe para o conhecimento geral a teoria de fim do mundo dos Maias, que está longe de ser o único "fim dos tempos" da cultura humana. Puxando da memória, posso citar o Ragnarök nórdico, o Apocalipse Judaico-Cristão, o Kali Yuga hindu, o Dia do Julgamento islâmico... Enfim, quase toda religião do mundo tem sua própria versão do fim de todas as coisas. O interessante é que boa parte delas compartilha, além da ideia de que o mundo vai acabar, algumas características de como, quando e porque vai acabar. Temas recorrentes são os mortos caminharem entre os vivos, bichos armagedônicos capazes de engolir corpos astrais, pestes, guerras, desastres naturais de proporções intangíveis... Existe até mesmo uma ciência responsável por compilar e interpretar versões do fim do mundo, chamada de Escatologia.
Convenhamos, seria muito épico unir vários heróis de diferentes origens e mitologias para enfrentar o Armagedom. Por isso, estou apostando minhas fichas em um enredo desse gênero. Está certo que toda missão dos Olimpianos e dos Kane teve algo a ver com ameaças à integridade da raça humana, mas não vi ninguém ainda falando de fim do mundo propriamente dito, só de entidades que têm a intenção de iniciá-lo."

Então gente? O que acharam?  Para mim está bem obvio que o Rick Riordan está tentando/fazendo um crossover pois já havia tido um encontro entre Percy e Carter em O filho de Sobek. E vocês o que acharam?


Fonte da teoria: Olympians-PI
Fotos: F.A.Q. do rickriordan.com e  Publishers Weekly

Um comentário

  1. Incrível... nunca tinha reparado nisso... dando uma atualizada, agora com o lançamento de Magnus Chase, ainda continua fazendo sentido... como vc citou, nada de Fim do undo realmente, apenas entidades querendo inicia-lo. Em Magnus, essa entidade é representada por Fenrir (pelo menos foi o que pareceu - ou talvez seja o cara que queria a espada do verao). Como foi com Gaia, com Cronos e com a serpente em Kane... e em Provaçoes de apolo, talvez seja Píton, que tomou posse de delfos e está agora tentando separar os gregos e romanos que se uniram em HDO

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